No começo de tudo, os grunhidos. Os homens das cavernas usavam a linguagem das pinturas rupestres para se comunicarem, e a linguagem oral era praticamente nula.
Uns milhares de anos depois, com os fenícios, a invenção do alfabeto. A linguagem oral já era um pouco desenvolvida, e as artes continuavam, principalmente no Egito, como formas de linguagem.
Império Romano. Maior desenvolvimento da linguagem escrita do Latim Clássico, e disseminação do Latim Vulgar, principalmente na oralidade, pelos conquistadores romanos. Pinturas ainda como forma de linguagem em alguns lugares conquistados.
Bárbaros. Incorporação de vários termos bárbaros aos dialetos.
Invasão dos Árabes na Península Ibérica, que inicialmente estava sob domínio dos Visigodos, no século VIII. A língua dos que moravam e viriam a morar no local incorpora palavras do vocabulário muçulmano, principalmente as palavras começadas por Al. As pinturas começam a ser utilizadas como forma de arte, ou linguagem para aqueles que não sabiam ler.
Expulsão dos árabes da Península no século XV. Antes disso, em meados do século XII, o rei de Castela cede a seu genro, Henrique de Borgonha (que havia ajudado na Reconquista), terras que iam do rio Minho ao rio Douro. Em 1125, D. Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha e D. Teresa (que governava o Condado até então), apoiado pela nobreza portuguesa, se auto nomeia guerreiro independente. Apoiado por nobres, população e igreja, em 1128 ocorre a Batalha de São Mamede e D. Teresa é expulsa. Afonso toma o poder e declara o Condado um reino independente. Após anos de luta para o reconhecimento com Castela e a Batalha de Ouriques, em 1139 nasce o Reino de Portugal, governado por Afonso Henriques, ou como fora nomeado, Afonso I.
A partir de 1415, começam as grandes navegações, com Portugal como pioneiro. A língua, antes o galego-português, se desvencilha de vez do castelhano e se torna o português, considerando-se essa consolidação definitiva a partir de Camões. Em 1500, Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil.
E a língua “brasileira” se misturou... Índios, negros, italianos, alemães, e vários outros vieram ao Brasil, sofreram muitas vezes, e deram suas contribuição a essa língua. E as pinturas e esculturas se tornaram arte, um outro nível de linguagem.
Por que dizer tudo isso?
Olhe a sua volta. Veja como você escreve. Pense no descaso do povo com a língua que fala. É claro, ninguém quer que você seja um erudito impecável, pois a língua é viva, está sempre mudando, e é o povo que faz a língua. Além disso, abreviações de vez em quando são necessárias...
Porém, ter um total descaso com a língua que fala, nem se dignar a escrever algumas palavras (e olhe que não são muitas!) de forma correta, é como se você desperdiçasse a vida e os feitos de todos aqueles que nos precederam à formação da língua. Poderíamos considerá-lo um assassinato?
Pense nisso. Vivemos em uma parábola: viemos dos grunhidos, atingimos os ápices da linguagem inteligente, e voltaremos aos grunhidos. Cabe a você impedir que isso aconteça.
Ame a sua língua!
Viva a Língua Portuguesa! ♥









